sexta-feira, 26 de maio de 2017

Colo vazio e confusão

Quando eu mais precisava você me expulsou e me disse para nunca mais pisar na sua casa.
Eu tinha problemas e você não queria problemas. O mais irônico é que os problemas que você não queria me ajudar a resolver tiveram começo com as suas atitudes aliada aos meus monstros inconscientes que me faziam ter a necessidade de me moldar a você para não te perder.
O que eu não tinha percebido, até a nossa última conversa séria, foi que eu, como sou, nunca fui amada por você porque  você amava a pessoa que eu me transformei só para te agradar.
Descobri que você me libertou da prisão em que eu mesma me coloquei quando você me disse "temos que seguir nossas vidas". Nesse momento me dei conta de que eu não havia mais a minha vida. Me dei conta de que a vida que eu vivia não era a minha vida.
Eu havia me perdido  de mim mesma...

Real sentido

Algumas palavras são mal interpretadas por falta de conhecimento ou até mesmo pelo uso popular da palavra que não condiz com seu real significado. Por exemplo: muita gente usa a palavra vagabunda para designar mulheres vulgares ou prostitutas mas etmologicamente o significado é outro.
Vejamos o que diz um dicionário:

vagabundo

adjetivo substantivo masculino

infrm.

1.

que ou quem leva vida errante, perambula, vagueia, vagabundeia.

2.

que ou quem leva a vida no ócio; indolente, vadio.

3.

B pej. que ou o que age sem seriedade ou com desonestidade; malandro, canalha, biltre.

4.

adjetivo

B

fig. que não tem constância, é volúvel.

"espírito v."

5.

adjetivo

B

pej. de má qualidade, inferior, ordinário.

"tecido barato, v."

6.

substantivo masculino

DIR.CIV

indivíduo que não tem residência habitual, ou que emprega a vida em viagens, sem ter um ponto central de negócios.

Origem

⊙ ETIM lat. vagabūndus,a,um 'errante'

Então vagabunda é uma mulher "errante" ou "de pouco valor".
Conhecimento nunca é demais, né!?
Bjos

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Seguindo em frente


Não espere que você promoverá mudança em quem não quer mudar. As pessoas mudam por que assim o desejam e a mudança é um movimento de dentro para fora. Mudar de casa, de cidade, de país não trará mudança alguma. Suas dores, sofrimentos e seus defeitos irão junto com você. 
Mas não se entregue por inteiro a quem só lhe dá uma parte pequena de si mesmo porque o amor é troca, é soma e nunca divisão ou prisão. Não se demore onde o amor, a cumplicidade, a amizade e admiração não forem por inteiro, por tudo o que você é, não se demore onde o amor não for recíproco!
Siga em frente e observe a mudança das energias, o universo conspira a favor de quem age a favor do bem maior, do amor.
Amor não é um, amor é múltiplo, é quanto mais melhor! Tem amor de filho, amor de pai, amor de qualquer jeito. O amor sabe dividir, porque sabe que quanto mais divide mais tem.
Tem amor no "bom dia!", amor na oração, amor na visita inesperada só pra matar saudade, no presentinho, na lembrancinha. Tem amor em tudo o que é de verdade, porque amor não combina com mentira e falsidade!
Transborde-se sem medo! Não seja pouco e nem pequeno demais para caber no mundo de alguém.
“Onde não puderes amar não te demores”
Eleonora Duse


terça-feira, 25 de abril de 2017

Carta de despedida

A primeira vez em que te enviei flores recebi uma foto sua chorando de emoção.Passamos por muitas coisas e eu acabei terminando nosso relacionamento por não suportar ter que ser metade de quem eu sou. Você fez falta na minha vida e depois de muitas conversas entendi que eu havia agido de forma errada com você e lhe enviei rosas e uma carta pedindo desculpas. Novamente recebi uma foto sua chorando de emoção. Reatamos e você não me suportou por inteira e terminou comigo. Eu, bicho ferido, te ofendi. Enviei rosas amarelas e um cartão de desculpas e só recebi um obrigada.
Precisei de você e você veio ao meu auxílio, num momento de amizade que eu entendi de forma errada, achando que era amor... Te enviei flores para agradecer e novamente recebi apenas um obrigada.
Decidi te enviar um vaso de flores para que você não se esqueça de mim já que flores em vasos duram mais, talvez uma vida. Queria te ver feliz. Novamente recebo um obrigada.
A cada tentativa de quebrar o gelo entre nós recebo um bloco de gelo maior ainda...
Hoje te enviei uma foto minha, essas sempre vinham como uma resposta sua me chamando de "linda". Hoje veio apenas "sorriso lindo", numa tentativa desesperada de quem vê a morte de um grande amor na sua frente respondi "é seu, é pra você" e fez o silêncio. Você viu e nada disse... 
Fiquei pensando nisso, na gente e na nossa história e entendo que é hora de me despedir desse amor, só me resta te esquecer e seguir em frente.
Quero te agradecer por ter tentado me dividir, por ter tentado seguir minha vida, por ter tentado me amar, por ter cuidado de mim sempre que precisei, por ter me acompanhado nessa pequena jornada de 2 anos.
Peço desculpas por não ser quem você gostaria que eu fosse, por não ser perfeita para você, por ser pouco, por não valer mais a pena.
Peço desculpas por você ter se mudado da minha casa e ter desistido de me amar.
Guardarei você, seu sorriso e seu jeito de me fazer sorrir no meu coração!
Adeus

domingo, 9 de abril de 2017

O teu colo

Você não é uma pessoa de se abrir mas também não sabe ficar quieta. Fala muito, às vezes acho que é uma forma de dizer pouco. Sempre muito agitada como quem foge de algo, como fez alguma besteira e quer esconder. Sempre achei que você não seria capaz de me dar um colo silencioso mas eu estava errada, como sempre. No começo era difícil, você queria saber o porque de eu estar ali tão quieta. Mas como eu poderia te contar se nem eu sabia?
O fato é que você foi se aprimorando no quesito "colo silencioso". Ficar alí, protegida das dores do mundo era algo que me acalmava. Um local onde as palavras, rotina do meu trabalho (dos dois ofícios) eram completamente desnecessárias.
Hoje eu preciso dele. Preciso dele para aliviar a minha tristeza mais uma vez, mas hoje não tê-lo faz parte da minha tristeza.
Eu não sabia que a depressão tem várias faces, incluindo uma sorridente. E por não saber sempre procurei alguém que pudesse aliviar essa tristeza imensa no meu peito e você me parecia tão forte, uma guerreira que carregava algumas dores muito parecidas com as minhas. Acho que de forma inconsciente eu te escolhi porque vi em você alguém que fazia o que eu não conseguia fazer, você era forte apesar de toda dor.
Forte é um adjetivo dado a mim constantemente mas que nunca me encaixei, me quebrei tantas vezes consecutivas e quando achei que teria tudo o que eu sempre sonhei recebi um "não me ligue mais" na cara me dizendo que tudo aquilo era mentira, que eu não iria ter nunca isso. E então você apareceu e me deu um sonho de valsa, talvez outra obra da minha fantasia de menina. E eu acreditei que você seria o cavalheiro que me salvaria dessa tristeza, da dor de não ser boa o suficiente, inteligente o suficiente, a dor de não ser suficiente, de não ser amada e respeitada...
Mas você me disse que não quer alguém assim, me chamou de louca mais de uma vez...
Eu não escolhi essa dor e até pouco tempo atrás eu escondia até mesmo de mim mesma o tamanho e a intensidade dela. Desculpe por ter me enganado e obrigada por ter tentado. Você não pode tirá-la mas sempre a fez diminuir, com seu colo silencioso.
Descobri a pouco tempo que apenas eu posso fazê-la passar e estou procurando o caminho para isso.
Espero encontrá-lo. 
Você faz falta.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Sapato novo

Sapato novo é lindo, te encanta e quando você usa, se usar demais, machuca. Machuca porque na loja você, envolvido num sentimento parecido com a paixão, não percebeu alguns detalhes, uma costura no calcanhar, o bico fino demais, o material macio de menos.
Machuca mas você insiste dizendo que ele vai se moldar ao seu pé, vai lacear, vai ficar mais maleável. Mas se continuar usando vai machucar mais e mais.
Assim são os relacionamentos: até que um se molde, laceie vai machucar. Machuca ter que se acostumar com as manias do outro, com os defeitos do outros. Por isso primeiro a gente namora, morre de saudade a semana inteira e se vê só nos finais de semana. Depois de um tempo, acostumados com as esquisitices mais leves um do outro começamos a aumentar a frequência dos encontros, dorme na casa um do outro, almoço no meio da semana. Se tudo continuar indo bem vem o noivado, ou não. Até que por fim a gente se casa, ou mora junto sem fazer nenhuma cerimônia que custa fortunas e dura tão pouco mas deixa a gente tão feliz.
Eu te calcei e gostei tanto que achei que não poderia ficar sem você. No começo não doía até que começou a incomodar, a não conseguir calçar sem dobrar o seu calcanhar e acabar te machucando também. Talvez tenha sido isso, tenha sido aí onde o fim começou.
Eu recuei, disse que não te queria mais, você me machucava demais e acabei te machucando. Machuquei tanto que você não queria mais me calçar e quando calçava ficava um pouco comigo e logo já dobrava meu calcanhar. Eu te incomodava e cada parte minha era indesejada: pais, filhos, passado...
Um agrado, um carinho sempre seguidos de um tapa na minha alma, um insulto. Um prazer em me ver desequilibrada como se isso te desse poder.
Às vezes pensava te que te ouvir sorrir enquanto eu chorava do outro lado da linha. Outras vezes eu ouvia seu sorriso irônico. Você já não acreditava mais em mim, não confiava mais em mim. Me fiz seca, você se fez dura.
Por que me aceitou de volta?
Por que eu quis voltar?
Agora estou me perguntando o porquê de eu te deixar me destratar tanto... Não sei. Essa foi a melhor explicação que encontrei nas suas palavras. Nas minhas encontrei uma culpa que não cabe no peito e que carrego há anos, décadas seria mais apropriado.
Talvez eu deixei você me destratar e me desrespeitar porque eu ache que eu mereça esse pouco de amor e só pouco amor é o que eu devo merecer.
Porque sou pesada demais. Porque sou feita da minha vida, vida que não encaixa no padrão de mulher que você sempre quis: livre como você.
Nos tornamos pouco ao sermos muito.
E eu ainda te amo, mesmo depois de ser jogada fora, largada na calçada da vida, resgatada por aqueles que me amam.
Não sei como terminar, ando concentrada em apenas respirar porque ainda sinto você dentro de mim, ainda estou moldada pra você...
Quem sabe um dia te encontro numa outra esquina, quem sabe já reparada e nova, mas mais maleável? Quem sabe nesse dia a gente sirva uma para a outra...
Quem sabe?
Até mais!

quarta-feira, 29 de março de 2017

Old love

I can feel your body
When I'm lying in bed
There's too much confusion
Going around through my head
And it makes me so angry
To know that the flame still burns
Why can't I get over?
When will I ever learn?
Old love, leave me alone
Old love, go on home
I can see your face
But I know that it's not real
It's just an illusion
Caused by how I used to feel
And it makes me so angry
To know that the flame will always burn
I'll never get over
I know now that I'll never learn
Old love, leave me alone
Old love, go on home
Written by Robert Cray, Eric Clapton • Copyright © Warner/Chappell Music, Inc

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Reconquistar

Ainda dói muito.
Muita coisa que você fez, muita coisa que você disse... E não me refiro ao término, me refiro a tudo o que vivemos nesses 2 anos. 
Eu tenho a péssima mania de amar demais, de me entregar de corpo e alma. Nunca achei que amor poderia ser demais... Mas acho que espero o mesmo de quem está comigo: reciprocidade....
Eu sei que não parece fazer sentido já que fui eu que terminei. Como você sempre gostou de frizar eu sou a parte fraca ou nas suas palavras "eu nunca desisti, foi você que sempre falou em terminar". O problema é que o amor acabou mas que as dores não se curaram com o fim do amor. Acho até que elas pioraram...
To tentando viver minha vida mas tudo dói tanto, tanto que parece que nunca mais vou ser a mesma.
Tenho pedaços de mim jogados no chão e isso já não me importa mais.
Não consigo entender o que eu fiz de errado com você, por isso a tendência de achar que tudo foi um erro.... dói... lateja.... Andam dizendo que hoje eu te faço mal, minha presença te faz mal, minha dor te maltrata....
Parece que foi a única coisa que eu fiz foi te fazer mal e isso dói mais ainda. Dois anos te fazendo sofrer... Tivemos momentos bons? Eu acho que sim. Você foi minha força, meu porto seguro, a pessoa que nunca desistiu de mim. Mas até isso ficou no passado. Você me deixou ir, não tentou nada, acho que até os mais persistentes se cansam....
Estou com medo porque não me sinto capaz de fazer nada certo quando o assunto é amor... Porque eu sempre desisto... Não sei se vou conseguir seguir sozinha mas isso já não é mais uma opção. Vou ter que seguir em frente sem desistir de mim, vou ter que me reconquistar e quem sabe eu tenha sucesso e volte a me amar.
Te desejo tudo de bom e que você seja muito feliz, minha Vida!
Até um dia!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Uma rosa e um cartão em branco- a carta de despedida


Minha querida e linda Ana,

Há quase 2 anos, no dia 22 de fevereiro, às 23 e alguma coisa eu morri pela primeira vez. E hoje, com uma certa nostalgia percorrendo minha alma, resolvi ver o que você anda ouvindo  naquele aplicativo bacana de música. Alejandro Sanz me contou que você sempre vai pensar em mim e que tudo já se acabou, embora a gente tenha se amado muito. Disse também que eu fui a sua ruina...
Algumas lágrimas rolaram e eu resolvi te escrever mas ainda não sei se você vai ler ou se vai simplesmente ignorar essa carta. Acho que nunca saberei...
Eu nunca planejei te amar como eu te amei, nunca achei que era possível amar alguém tanto assim e em tão pouco tempo.A forma como você chegou e como juntas enfrentamos vários probleminhas do dia a dia como quem cuida de quem quando estávamos com nossos filhos. Era tudo tão natural que a gente quase não precisava conversar, apenas vivíamos.
Os nossos pic-nics, nossas risadas após o amor, as brincadeiras e piadas, a leveza com que você me fazia levar a vida e o amor são coisas que levarei no meu coração como um tesouro, minha jóia rara, minha herança dessa vida é o amor que sentimos um dia uma pela outra.
Mas você não era livre, não poderia ser minha e quando teve que escolher eu fui preterida. Ela tinha mais, era mais e as crianças também estavam lá e precisavam de você muito mais do que eu...
Desde o nosso primeiro beijo, no sofá da minha sala depois de uma visita casual até aquele maldito telefonema que me arrancou a alma e destroçou meu coração você foi meu tudo, meu mundo, minha calma, minha vida e acredito que por ter sido tanto foi tão difícil te deixar ir.
Mesmo depois de separadas encontramos uma forma de dizermos como estávamos e o quanto ainda éramos importantes uma para outra. Muitas músicas e um único telefonema me fizeram continuar acreditando no amor.
É claro que eu continuarei pensando em você com todo o carinho de sempre, com toda a ternura que vivemos nossos doces dias de verão.
Sinto-me liberta da prisão em que eu mesma me coloquei há 2 anos atrás e você Ana, com sua constante leveza, me ajudou a sair dela. Fomos nos despedindo aos poucos, levemente, com muitas canções. O nosso amor pela música nos ajudou a nos aproximar e a suportar a dor de nos separarmos.
Desculpe por ter sido sua ruina... 
Queria ter te conhecido uns muitos anos antes, quando você ainda era livre e antes de ter feito sua escolha definitiva de vida...
Cuide-se bem, dê voltas ao mundo, se encontre e seja sempre muito feliz!
Da sempre sua,

Clara

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Notas sobre escolhas e renúnicas

Toda escolha envolve em pelo menos uma renúncia e essa renúncia parece ser motivo de sofrimento para o ser humano. Uma imagem foi montada durante uma supervisão e eu a guardei com muito carinho e ela surge como meu arquivo pessoal quando me deparo com pessoas que se mostram com dificuldades em escolher: uma criança de aproximadamente dois anos em frente a um imenso baú de brinquedos tentando pegar todos os brinquedos. Ela não sabe qual quer, na verdade ela quer todos, não quer renunciar nenhum mas seus pequenos braços não são capazes de segurar todos os brinquedos.
O que essa criança não percebe é que o desejo desenfreado de ter todos os brinquedos a impede de brincar. Ela gasta todo seu tempo ocupada em tentar manter todos os brinquedos em seus braços mas não percebe que essa atitude a impede de se divertir, de conhecer e de ter prazer com um ou quantos brinquedos couberem em seus braços.
Quando não escolhemos optamos pela ansiedade de tentar carregar tudo e postergar a diversão de "brincar". Não escolher é uma escolha, é escolher tentar ter tudo e não ter nada.
Acredito que o medo de sofrer seja o principal motivo dessa escolha, mas não podemos ignorar que as frustrações e a consequente dor são inerentes a todos os seres humanos. O que nos resta fazer é saber como lidar com essas frustrações e aproveitar o máximo da "brincadeira".